Notícias 25 Set 2026

Aitor Kranka: “Se há jogador que, além do talento, entende o jogo é o português e o espanhol”

Aitor Kranka: “Se há jogador que, além do talento, entende o jogo é o português e o espanhol”

Aitor Karanka, diretor técnico de desenvolvimento da Seleção Nacional masculina de Espanha, foi o convidado de Óscar Tojo para uma conversa que prometia revelar um dos segredos mais bem guardados dos espanhóis: como construir um campeão do Mundo!

O diretor técnico da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) começou por lançar um desafio ao espanhol, aproveitando que a sua equipa se sagrou recentemente campeã no Mundial dos Estados Unidos, questionando-o sobre o famoso tema do padrão de jogo.

“Sim existe e isso faz com que tenhamos jogadores com talento e resultados em todas as categorias. Há uma maneira concertada de trabalhar em todo o país e a formação de treinadores é fundamental, a maior parte são formados nas respetivas regiões. São jogadores que entendem o jogo, além do talento. A Federação tenta, desde os escalões mais jovens, criar esse ambiente de equipa e isso reflete-se em campo e acompanha-os ao longo da carreira”, explicou o antigo jogador.

“A nível da Seleção absoluta estou em contacto com todos os clubes, temos também uma excelente relação com as seleções regionais, com os diretores delas, vamos ver os seus jogos e circula informação permanente entre todas as partes,” explicou o ex-central de 53 anos.

Neste momento há sete ou oito clubes que dão jogadores à Seleção A, ao contrário do que aconteceu durante anos com o famoso tiki- taka do Barcelona a estender-se à equipa principal do país. “ Foi um processo ao longo dos últimos anos. Nem todos têm esse talento, é preciso encontrar alternativas, perfil de jogadores diferentes que nos levem ao sucesso. Além disso, saíram muitos jogadores para o estrangeiro e isso também ajuda, sendo que, a maioria, passou pelas camadas jovens das seleções e está identificado com o modelo”.

Aitor Karanka sorriu à pergunta obrigatória que mais vezes lhe devem ter feito. Qual é o segredo?

“Para ganhar o Mundial tem de sair tudo perfeito. Foi um caminho perfeito. O talento é a base, claro, mas o ambiente da Seleção é fundamental. Vendo de fora o segredo é ter um selecionador como Luis de La Fuente, com o seu perfil, é muito importante. Ele é pai, amigo, treinador, confidente… A convivência do grupo, como se todos se conhecessem há muito tempo e caminhassem na mesma direção. E na verdade conhecem, mas é um exemplo de equipa”, elogiou o dirigente espanhol.

“Por exemplo, se um jogador não jogou e passa pelo treinador no dia seguinte de cara fechada, Luis de la Fuente diz-lhe: ‘Não faças essa cara para mim’. E diz-lhe como e onde tem de fazer mais. A sua forma de ser é muito importante”, revelou.

Nos Estados Unidos, durante mais de 50 dias, também tudo correu bem e a opção de privilegiar a vertente familiar revelou-se um sucesso.

“Foi muito exigente, com muitas viagens, diferenças de horárias, mas tudo funcionou muito bem. Os hotéis foram espetaculares, as viagens também, trataram de que nos sentíssemos como se estivéssemos em casa, o que em mais de 50 dias é muito importante. Celebraremos quando vencermos, dizíamos. Na véspera da final, subi no elevador com o selecionador e um jogador de 19 anos. Em Nova Iorque, véspera do jogo e ele completamente tranquilo, sem ponta de nervosismo”, confidenciou.

“Foi a primeira experiencia com as familias e, para mim, fundamental. As famílias estavam la, depois de um jogo deixavam jantar com as famílias, havia famílias que vinham ao hotel. Os jogadores estiveram com as famílias quase todos os dias. Os pais de todos juntos, as mulheres a conversar, isso dá tranquilidade ao jogadores”, assumiu.

Luis de la Fuente renovou recentemente até 2032, mas não foi surpresa para ninguém. “O presidente disse que foi uma decisão sua, de acordo com todos os outros elementos, conhece toda a gente, a sua forma de estar, sabemos que não se vai conformar com o que já conquistou. Depois da final, um jogadora perguntou: ‘E agora o que se segue?’. Esta mentalidade diz tudo”, rematou.

Afinal, contas feitas, depois do sucesso do Mundial é preciso escolher o que faz a diferença e como continuar, mas o segredo é simples. “O talento é importante, o espírito de equipa, mesmo com tudo muito mais profissionalizado, os jogadores são cada vez mais atletas. O futebol é cada vez mais rápido, são novas gerações, as redes sociais, temos de nos adaptar a tudo isto e acompanhar”, justificou.

“Se há jogadores no Mundo que entendem o jogo, além do talento, são os de Espanha e Portugal. Foi uma pena que nos tivéssemos cruzado tão cedo!”

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