Deco: “A longevidade de Ronaldo é difícil de explicar”
Diretor do Barcelona e ex-internacional luso recordou os melhores e piores momentos da carreira de jogador e acreditou sempre que o capitão da Seleção seria “um dos melhores de sempre”
Nascido no Brasil, Deco, agora diretor no Barcelona, foi internacional português e deixou marca na Seleção Nacional, apesar da dor da derrota sofrida na final do Europeu’2004. “Custou muito perder, teria sido espetacular ganhar em casa. O facto de ter sido com a Grécia, a segunda derrota. Tínhamos grande favoritismo, toda a gente dizia que era impossível, mas era possível e aconteceu”, revelou no encerramento do segundo dia do Football Summit, contando que lidou com a frustração “bebendo umas cervejas e ficando por casa”.
Apesar da estreia na Seleção ter acontecido sob o comando de Luiz Felipe Scolari, Deco revela que foi mera coincidência. “Sonhava com o Brasil, mas a minha carreira está ligada a Portugal. Fui muito feliz, não cem por cento porque faltou o título. Quem me ligou primeiro para jogar pela Seleção foi o presidente Gilberto Madaíl, em 2001/02 já tinha a minha decisão tomada, foi uma ideia que cresceu no Porto, com os meus companheiros.”
Lembrado que a estreia, frente ao Brasil foi no mesmo ano e apenas uns meses antes da de Cristiano Ronaldo na equipa das Quinas, Deco admitiu: “Que Cristiano seria dos melhores não tinha dúvidas, era o mais curioso para tentar fazer melhor, perguntava como o Ronaldinho fazia isto e aquilo. Tinha muita qualidade, era persistente. Agora essa longevidade é difícil de explicar, só é possível por ser tão focado, tão determinado anos e anos seguidos. É difícil, é um dos maiores atletas da história.”
E de fora, Deco celebrou o triunfo do Euro’2016 quase como uma vingança. “Estava lá, fui ver o jogo contra uma França favorita. Mas ganhámos nós, fiquei feliz pelo Fernando, o Cristiano, todos os jogadores e pelos portugueses. Teve sabor a vingança pelo que passamos em 2004.”
Deco chegou a Portugal há 29 anos, acompanhado de Caju, acreditando que iria jogar no Benfica, e foi só no aeroporto de Lisboa, onde conheceu Toni e o diretor do Alverca, o senhor Rio Maior, que percebeu que iria para o emblema ribatejano, então satélite das águias. Foi também só à chegada, onde havia muita imprensa, que percebeu que no mesmo avião vinha Paulo Nunes, reforço do Benfica.
Apesar da desilusão sentida, Deco contou, em conversa com o jornalista Rui Miguel Tovar, no encerramento do segundo dia do Portugal Football Summit, que foi “muito bem recebido e feliz” no Alverca, onde tinha por treinador Mário Wilson.
Ainda chegou a treinar no Benfica, mas quis o destino que acabasse por fazer história no rival FC Porto, após passagem pelo Salgueiros.
Nos dragões, Deco ajudou o clube a fazer história com as conquistas de uma Taça UEFA e uma Champions, entre outros títulos, mas também “histórias de superação” pelas “lesões sofridas nos primeiros anos”. Curiosamente, apesar dos maiores sucessos terem sido sob o comando de José Mourinho, o antigo médio apontou Fernando Santos como fundamental na sua carreira. “Transformou um pouco a minha ideia de jogo, tentava jogar para divertir-me e perdia bolas sem critério e ele, com o seu mau humor de manhã, brigando e insistindo fez-me perceber o jogo, mudar, era o que o precisava naquela altura. O Mário Wilson era um sonhador, tudo o que fazia era maravilhoso. Santos foi importante. Mourinho foi revolucionário, mas eu já estava mais feito.”