Harry Lennard: "Trabalhamos com um génio digital, totalmente automatizado"
Como o SAOT (fora de jogo semiautomático) está a permitir decisões de fora de jogo mais rápidas e precisas no futebol mundial - foi este o mote da intervenção de Harry Lennard, Diretor de Operações da Genius Sports, no segundo dia, quinta-feira, do Portugal Football Summit que decorre na Cidade do Futebol.
“Fui árbitro assistente em mais de 320 jogos da Premier League. Reformei-me cedo devido a problemas de saúde, de coração, que felizmente já estão resolvidos. Estou na Genius Sports desde novembro de 2024. O fora de jogo é um desafio, um enorme desafio. Com o VAR é inegável um aumento de acerto no fora de jogo. Antes, eram cometidos muitos erros. Mas no início era complicado. Havia uma quantidade limitada de câmaras e era um processo demorado. Lembro-me de estar no campo com consequências que não previa: os adeptos celebraram um golo e um não golo. O VAR ainda dava os primeiros passos. Os adeptos sabiam primeiro em casa do que os que estavam no estádio. E isso não era bom, esse efeito cascata estava a ser partilhado de forma incorreta”, recordou Harry Lennard, para depois explicar como funciona, em traços gerais, o fora de jogo semiautomático: “As câmaras normais registam 50 frames por segundo, com a nossa tecnologia, a Genius IQ, conseguimos registar 100. Na prática trabalhamos com um génio digital, totalmente automatizado. Em média, com apenas a decisão de um fora de jogo, é uma redução de 33 por cento em relação a um passado recente. Este é um sistema mais preciso. Num estádio, precisamos de 28 Iphones com ligação à internet. Todas as câmaras dos respetivos dispositivos registam imagens, enviam para a nuvem e depois, quando tal for necessário, entra em campo, passe a expressão, o tal operador Genius, que faz tudo de forma automática. Começámos com este sistema na Premier League, depois passámos para a Bélgica, estamos no México e em vários países da América do Sul. Os adeptos não gostam de atrasos num jogo, não gostam de demoras, querem decisões rápidas e naturalmente verdadeiras.”
Num planeta em constante e rápida evolução, a Inteligência Artificial começa a fazer parte do dia a dia de cada um e também no futebol já entra em campo: “A IA no futebol, e no mundo, é ainda um tabu. Mas a combinação homem/máquina pode chegar a 100 por cento de acerto em algumas áreas e nesta em particular pode ser determinante para um melhor desenvolvimento do jogo. Queremos sempre cem por cento, queremos sempre estar no topo. Objetivo é ter a decisão em menos de um minuto. Mais de 60 segundos é uma eternidade para os adeptos. As pessoas têm de compreender que a tecnologia, por melhor que seja, pode não ser cem por cento eficaz. Mas todos estamos a trabalhar para que o seja cada vez mais.”