13 Ago 2026

A história não se herda. Constrói-se

A história não se herda. Constrói-se

Artigo de opinião de Jorge Jesus, Selecionador Nacional de Portugal

Há desafios que não são um começo. São a confirmação de um caminho. Depois de uma vida no futebol, chegar à Seleção Nacional é a maior responsabilidade que um treinador português pode ter. E a maior ambição também.

Lembro-me, no dia da minha apresentação, da frase nos ecrãs da Cidade do Futebol: viemos para vencer. Não é um slogan. É uma obrigação. Quando se veste esta camisola, não se entra em campo para participar. Entra-se para competir. E para ganhar. Isto não muda.

Conheço a história desta Seleção. Sei o peso desta camisola e respeito tudo o que foi conquistado antes de mim. O passado dá confiança, mas o futuro exige que voltemos a ganhar. É tão simples quanto isto.

Dentro de poucas semanas junto este grupo pela primeira vez como Selecionador. É aí que tudo começa a sério. Antes do País de Gales, da Dinamarca e da Noruega há um trabalho que ninguém vê: construir uma identidade, criar hábitos, exigir todos os dias e fazer com que jogadores de qualidade pensem como equipa.

Isso não se improvisa. Constrói-se todos os dias.

É essa parte do futebol, a que fica longe das câmaras, que me levou a participar na primeira edição do Portugal Football Summit, no ano passado. Hoje ganha-se com trabalho, mas também com conhecimento, com humildade para ouvir os outros e com coragem para pôr em causa aquilo que julgávamos saber. O futebol evolui quando trocamos experiências. As equipas vencedoras fazem-se também assim.

Já treinei em Portugal, no Brasil, na Turquia, na Arábia Saudita. Mudei de país, de cultura, de balneário. Nunca mudei aquilo em que acredito. Uma equipa não se define só pelo talento que tem. Define-se pelo modo como trabalha, pela exigência de cada treino e pela capacidade de todos irem na mesma direção. É isso que transforma um grupo de jogadores numa equipa que está, sempre, mais próxima de vencer.

Sei que esperam muito de nós. Ainda bem. Eu também espero muito desta equipa. Confio nos jogadores, confio no trabalho, na estrutura da Federação Portuguesa de Futebol e confio que Portugal deve entrar em qualquer competição a pensar em vencê-la. Foi sempre assim na minha carreira. Não vai ser diferente agora.

Viemos para vencer.

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