José Boto: “Diretor desportivo não é só quem contrata jogadores”
‘Como os líderes da elite do futebol constroem equipas vencedoras’. Este era o mote da conversa que juntou três figuras de relevo no Portugal Football Summit, com José Boto, diretor desportivo do Flamengo, a destacar a abrangência das funções que desempenha.
“Diretor desportivo não é só quem contrata jogadores nas janelas e vai de férias. É um trabalho de gestão do dia a dia, das várias equipas multidisciplinares e colocá-las ao serviço da equipa de futebol para ter a performance, que no caso do Flamengo é ganhar”, começou por afirmar. “É preciso coordenar todas as equipas para que funcionem em prol da equipa. O grande desafio que encontrei lá foi esse”, sublinhou.
Além de recorrer à experiência no Brasil, falando de uma realidade muito diferente da europeia, José Boto também destacou aquilo que considera ser decisivo num bom diretor desportivo. “Tem de ter jogo de cintura. Já trabalhei com 10 treinadores, cada um tem a sua maneira de ver o jogo, as suas manias. Flexibilidade é a palavra correta. Está entre a decisão do clube, SAD, administrações... E o facto de teres formação como treinador ou passares pelo campo é importante porque te ajuda a perceber o que o treinador está a sentir, mas também a não fazer todas as vontades”, destacou.
Já Fernando Meira, que tem esse mesmo cargo no Vitória SC, salientou um desafio que está a crescer atualmente. “Cada vez é mais difícil contratar jogadores portugueses com qualidade porque cada vez mais o jogador português quer ir para fora ganhar dinheiro. Para o bem do futebol português devíamos ter quase uma obrigação de os clubes portugueses terem cada vez mais jogadores formados localmente, jogadores portugueses, nas fichas de jogo. Já existe em alguns países e Portugal vai acabar por dar cada vez mais benefício a jogadores estrangeiros, o que não beneficia em nada o produto português, que está em alta”, afirmou.
Quanto a Sami Khedira, atualmente assistente técnico de José Mourinho no Real Madrid, o antigo jogador alemão destaca um dos problemas que se tornam fascinantes. “Neste verão falámos entre nós. O clube quer ou precisa de vender jogadores, mas nós gostamos deles. Um agente diz que um jogador tem de jogar mais, mas por outro lado, na nossa equipa, sabemos que não joga muito porque é jovem e temos um jogador de classe mundial na posição dele e não vai ser bom para ele. Mas o treinador vai querer ficar com ele porque vai jogar bem nem que seja 10 ou 15 minutos. A nível financeiro pode ser bom vender... É todos pensarem em conjunto para encontrar a melhor solução. É a beleza do futebol. O treinador faz o puzzle para ver quem joga com quem, é criativo, passa horas no escritório, a perceber como se pode evoluir e tornar a equipa melhor”, rematou.