José Veiga Rodrigues: “O apelo do futebol europeu é inigualável”
Num painel dedicado às novas tendências de investimento no mundo do desporto, José Veiga Rodrigues, da Apollo Sports Capital, explicou que investir em marcas desportivas como o Atlético de Madrid ou os New York Yankees é considerado atrativo no universo dos investimentos financeiros tendo em conta a escala das operações e a durabilidade das marcas, o que garante uma estabilidade e proteção “muito interessantes”.
“Todos querem que o capital perceba estas oportunidades”, explicou, contextualizando que os desportos no caso dos EUA já estão enquadrados numa ótica de indústria de entretenimento e que na Europa impera um modelo híbrido, de transição, de clubes de base comunitária que se tornaram enormes marcas e potências financeiras, mesmo que ainda pertençam aos sócios. “O apelo global do futebol europeu é inigualável.”
Mesmo o futebol sendo um mundo de emoções, José Veiga Rodrigues sublinha que a indústria entendeu que é necessário haver uma “gestão financeira racional ao centro” que mantenha a estabilidade, faça crescer os clubes e as transições necessárias para que “mais capital entre pela porta”.
Tal como os restantes oradores do painel, acredita que os passos que têm sido feitos na Liga Portugal são “muito encorajadores” do ponto de vista de quem investe; mas defende que é necessário um maior trabalho de equipa entre os diferentes clubes.
Luís Vicente, chairman da APEX, sublinha que “há tanta emoção dentro de campo que ninguém confia nos outros quando se trabalha fora dele”. Porém, é precisamente no trabalho em conjunto que reside a chave para tornar “o produto melhor”. “Uma equipa não muda nada, a família de todas as equipas muda tudo.” Ainda assim, elogiou os passos que grupos de investidores têm feito em Portugal, em equipas como o Casa Pia, Estoril-Praia ou Estrela da Amadora, ou a própria APEX junto do Belenenses. “São notícias fantásticas, porque também estamos a proteger estas marcas que têm um valor histórico”, apontou, dando o exemplo do Manchester City, enquanto clube de pequena dimensão que se tornou num dos grandes de Inglaterra em pouco tempo, frisando que é possível conciliar a essência comunitária com a inovação e o investimento.
O empresário considera falsa a ideia de que o desporto é um modelo muito amadurecido, ao qual não é possível retirar mais potencial, dando o exemplo de novas ligas desportivas ou de criadores de conteúdos associados às modalidades que têm tido um enorme sucesso, como o streamer Speed. “E não são só os criadores profissionais, também são os micro criadores. É difícil digerir porque muda super rápido, mas as marcas vencedoras são as que se conseguem adaptar.”
Christian Teichmann, Executive Board Member Venture & Networks da Burda, um dos maiores conglomerados de media da Europa, acredita que estamos prestes a presenciar “uma nova era dourada de conteúdos”, defendendo que, com os avanços da inteligência artificial, o público terá mais tempo para despender com a indústria de entretenimento. “Isso trará novos projetos de media. O futuro das nossas vidas vai ser cada vez mais dominado por tecnologia, mas as pessoas vão procurar por comunidades, pelo sentido de pertença”, afirma, apontando o desporto como um ecossistema com essas características sociais.
O executivo alemão crê que as massas adeptas dos clubes são a grande mais-valia do setor, uma vez que são quem dedica tempo, paixão e compromisso aos clubes. Para si, a estabilidade é essencial da perspetiva de quem investe, uma vez que é necessário existir alguma previsibilidade de retorno do investimento realizado.