Notícias 24 Set 2026

Peter Moore: “Clubes devem aproximar-se dos adeptos”

Peter Moore: “Clubes devem aproximar-se dos adeptos”

Antigo CEO do Liverpool, hoje conselheiro no Wrexham e acionista do Wisla Cracóvia, realça a importância de reforçar os laços entre os jogadores e os fãs e a comunidade

Peter Moore, nascido em Liverpool, entrou no mundo do futebol e no clube de Anfield em 2017, como CEO. No Football Summit, à conversa com Pedro Pinto com o tema “Game changer – Da Dreamcast a Anfield, rumo ao futuro do desporto”, Moore fez um balanço da sua ligação ao futebol desde os tempos em que trabalhava na Sega e ajudou a revolucionar o mundo das consolas de jogos com a Dreamcast “a primeira online”. “Vi a ligação do desporto logo, havia o jogo FIFA. Outros se seguiram. Esta indústria abriu a minha mente para ver o futebol como uma plataforma de entretenimento e não apenas um jogo para o qual se paga o bilhete.”

Desafiado a gerir o clube da cidade onde nasceu, numa altura em que vivia na Califórnia, Peter Moore trouxe uma visão diferente. “Eu vinha dos videojogos. Era alguém que geria comunidades e paixão. O Liverpool tem 300 milhões de adeptos em todo o mundo, a maioria nunca foi a Anfield, por isso quis humanizar os jogadores, levá-los às comunidades, aos hospitais, a interagir com fãs”, começou por dizer, lembrando que encontrou inicialmente alguma resistência, mas que foi afortunado por trabalhar com o treinador Jurgen Klopp. “Tivemos a capacidade de criar conteúdos e pegar no Klopp e de o por à frente das câmaras, ele percebia bem o que era e significa o Liverpool. A comunidade é a chave em Anfield. Sempre disse aos donos: vocês não são os donos do clube que é dos adeptos, não são donos de nada, têm é os direitos de fazer negócios.”

Sobre a gestão do clube e desportiva, garantiu: “O segredo é estabelecer fronteiras claras. A equipa técnica faz o que tem de ser feito, eles não se envolvem na minha área e a direção desportiva é que procurava encontrar os melhores jogadores, como o Salah, Van Dijk. Não ia ao centro de treinos e Klopp raramente vinha aos escritórios. Não interferia.”

Depois de deixar o Liverpool, em 2020 durante a pandemia, e regressar aos EUA, Peter Moore voltou ao futebol desafiado a ser conselheiro do Wrexham, que se tornou um fenómeno global com o documentário da Netflix, e tornou-se também acionista minoritário do Wisla Cracóvia “um clube fascinante, onde se encontra uma cultura dos anos 70 e 80, talvez com demasiada pirotecnia para o meu gosto”.

Da passagem pelo Liverpool destaca ainda o “impacto positivo” que o crescimento do clube teve para a economia da cidade – “o presidente da Câmara e Comissário da Polícia ainda hoje são grandes amigos” – ao reforçar essa ligação com a comunidade.

As novas tecnologias e a IA trazem novas oportunidades que os clubes devem saber aproveitar, sobretudo reforçando a ligação aos fãs, designadamente em termos comerciais. “Os clubes são dos adeptos e devem aproximar-se deles. A personalização é essencial na comunicação, como por exemplo na venda de camisolas.”

Notícias Semelhantes