Artigos de opinião 01 Abr 2026

O kick-off da FPF para o Mundial fora das quatro linhas

O kick-off da FPF para o Mundial fora das quatro linhas

Artigo de opinião de João Medeiros Cardoso, Chief Marketing & Commercial Officer da Federação Portuguesa de Futebol

O caminho para o Campeonato do Mundo de 2026 já começou. E não apenas dentro de campo. Hoje, a preparação deixou de ser apenas um processo desportivo. É também um fator estratégico. As organizações que chegam melhor preparadas não são apenas as que treinam melhor, mas as que constroem, com antecedência, as condições certas para competir, para se posicionar e para se fazer sentir.

Tal como a Seleção Nacional se prepara para competir ao mais alto nível, também a Federação Portuguesa de Futebol está a preparar-se enquanto organização, enquanto marca e enquanto plataforma de ligação ao futebol global. Essa preparação está a acontecer agora, no terreno, e ganha forma através de uma abordagem que combina competição, presença e ativação.

Os jogos de preparação frente ao México e aos Estados Unidos são parte desse percurso competitivo. Mas à sua volta está a ser construída uma estratégia mais ampla, que reforça a forma como Portugal se posiciona internacionalmente e como se projeta além-fronteiras. É neste contexto que surge o kick-off de um novo ciclo do projeto Portugal Legends, como uma das expressões mais claras dessa visão.

No México, no mítico bairro de Tepito, antigas referências do futebol português estiveram em contacto direto com a comunidade local, num ambiente onde o jogo é vivido como identidade e cultura. Este projeto não vive apenas da memória. Vive da sua capacidade de transformar o legado em ligação real, de levar o futebol português a novos públicos através de quem ajudou a construí-lo e de criar momentos que reforçam a proximidade entre o futebol e as pessoas. Ao mesmo tempo, funciona como um veículo de promoção de Portugal enquanto país, através das suas pessoas, da sua cultura e da sua identidade desportiva, mostrando ao mundo aquilo que melhor nos define.

Em paralelo, ganha expressão uma segunda dimensão igualmente estratégica, centrada nas ativações com parceiros e comunidades. A watch party em Nova Iorque, onde adeptos acompanharam o jogo entre México e Portugal ao lado de figuras do futebol português, como Vítor Baía e Adrien Silva, é um exemplo claro dessa abordagem. Em Atlanta, a presença de Legends no jogo da Seleção Nacional frente aos Estados Unidos reforça essa ligação no próprio momento competitivo. Estas iniciativas são desenhadas em articulação com parceiros e funcionam como plataformas de ativação que criam experiências, geram proximidade e ampliam o impacto da presença portuguesa nestes mercados.

É também através destas ativações que a FPF contribui para a projeção internacional de Portugal, não apenas enquanto potência desportiva, mas enquanto destino turístico, cultural e gastronómico. Cada ponto de contacto, cada experiência e cada interação tornam-se oportunidades para dar a conhecer o país na sua totalidade, numa combinação que vai muito além do futebol.

Esta combinação entre legado e ativação traduz uma evolução na forma como o futebol se posiciona fora de campo. Num Campeonato do Mundo, a visibilidade não se conquista apenas com resultados. Constrói-se com consistência, presença e relevância cultural. E essa consistência não se improvisa. Prepara-se.

O que está a acontecer agora é, em muitos aspetos, um verdadeiro warm-up. Um momento de preparação que permite testar formatos, ativar relações, consolidar parcerias e afinar a forma como a marca Portugal se apresenta ao mundo através do futebol. Um trabalho que ganhará escala e profundidade durante o Campeonato do Mundo de 2026.

Através do Portugal Legends, a FPF ativa o seu legado. Através das ativações com parceiros, constrói experiências e reforça a ligação às comunidades. Através dos jogos de preparação, liga tudo isso ao momento competitivo. O resultado é uma abordagem integrada que permite preparar 2026 de forma mais completa, mais consciente e mais alinhada com aquilo que o futebol se tornou.

Mais do que um conjunto de iniciativas isoladas, trata-se de um posicionamento. Preparar uma competição já não é apenas preparar uma equipa. É preparar um ecossistema onde performance desportiva, marca, parceiros e comunidade funcionam de forma articulada. Porque no futebol atual, a diferença não está apenas no que acontece dentro de campo, mas na capacidade de transformar cada momento numa oportunidade de ligação, de presença e de relevância.

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