Throwback ao PFS 2025: O que significa ser Diretor Desportivo no futebol de hoje?
Um dos momentos marcantes da última edição do Portugal Football Summit
Enquanto preparávamos a newsletter desta semana, pareceu-nos a altura certa para recordar uma das conversas mais marcantes do Portugal Football Summit 2025, numa discussão que continua tão atual hoje como no momento em que aconteceu.
Entre os muitos oradores que passaram pelos palcos do evento, houve um painel que se destacou pela honestidade e profundidade da discussão: uma conversa sobre a evolução do papel do diretor desportivo, com Tiago Pinto, Diretor Desportivo do AFC Bournemouth.
Recordemos alguns dos momentos mais relevantes da sua intervenção.
"O papel mudou completamente"
Ao falar sobre a evolução da função nas últimas duas décadas, Tiago Pinto foi perentório: "O papel mudou muito nos últimos 15/20 anos. Hoje é muito mais complexo. Temos de falar várias línguas e lidar com diferentes stakeholders, desde presidentes a dirigentes e advogados. Temos de ser líderes e gestores de pessoas, tanto na vertente técnica como na vertente do negócio."
Na sua opinião, é precisamente essa crescente complexidade que torna essencial manter o conhecimento do futebol no centro das decisões. "É importante estarmos rodeados de antigos jogadores."
O mesmo equilíbrio aplica-se ao recrutamento. Para Tiago Pinto, os dados têm um papel importante, mas estão longe de contar a história toda. "Os dados estatísticos são importantes. Temos um departamento dedicado a essa área, mas isso, por si só, não basta."
No AFC Bournemouth, explicou, as decisões são sempre tomadas em equipa. "A decisão de contratar jogadores é conjunta, envolvendo o proprietário do clube, o treinador, eu próprio e outro diretor. Temos uma estratégia bem definida, independentemente dos resultados do fim de semana."
Quando questionado sobre o que distingue uma boa contratação de uma má, respondeu sem hesitar: "Mais importante do que contratar o novo Messi é saber quem estamos realmente a contratar."
Depois de passar pelo Benfica, pela Roma e, atualmente, pelo AFC Bournemouth, Tiago Pinto conhece bem diferentes realidades do futebol europeu. E as diferenças fazem-se sentir não só dentro de campo, mas também na forma como os clubes são geridos.
"Em Portugal, trabalhei no maior clube do mundo. Culturalmente, Portugal e Itália são muito semelhantes, mas aqui existe a figura do presidente, enquanto lá existe a do proprietário. Em Inglaterra é diferente. O futebol é apoiado e, naturalmente, os resultados contam, mas em Portugal e em Itália a realidade é distinta."
As palavras de Tiago Pinto mostram como o papel do diretor desportivo se tornou muito mais exigente. Hoje, é preciso muito mais do que conhecer o jogo: é necessário liderar equipas, gerir diferentes interesses, definir estratégias e tomar decisões que impactam o futuro de um clube.
É precisamente por proporcionar conversas como esta que o Portugal Football Summit continua a afirmar-se como um dos principais pontos de encontro da indústria do futebol, reunindo quem está a moldar o presente e o futuro da modalidade, dentro e fora das quatro linhas.
Penso que esta versão soa bastante mais natural em português de Portugal e aproxima-se do estilo editorial utilizado pela UEFA, Liga Portugal ou FPF, sem parecer uma tradução literal do inglês.